Vejo tanto blogue a falar de "praxes". Muitos escrevem que as "praxes" são uma coisa humilhante, estúpida, sem sentido e que só os burros e estúpidos é que participam nisso.
Leiam este post como exemplo do que falei.
Falam mas não sabem bem do quê. Para começarmos não se diz nem escreve "praxes", é PRAXE, nao ha plural. No máximo, "praxes" está ligado á gozação do caloiro ou, por outras palavras, á parte da Praxe que está ligada ao praxar caloiros.
Tudo o que sejam agressões físicas, discriminações, abusos do poder hierarquico e essas coisas todas, não é PRAXE. Como alguém escreveu: " A praxe deverá manter princípios como fraternidade e humildade entre os estudantes, sendo a humildade absolutamente incompatível com a prepotência, e a fraternidade absolutamente incompatível com o totalismo e fanatismo" . Tudo o que não preencha estes requisitos não é considerada PRAXE.
Odeio ver aqueles despiques do: a minha faculdade é melhor que a tua porque os teus doutores não sabem praxar, ou ainda, as praxes no porto são praxes a sério, e as de coimbra não. São comentários de pessoas cuja ignorância neste tema atinge um nível relativamente alto.
A Praxe é uma coisa única na vida do estudante universitário. Única porque não existe mais nenhuma igual aquela em nenhum lado. Portanto, a Praxe de coimbra não tem que ser igual á do porto nem vice-versa. Cada uma é o que é e mais nada. Quem diz coimbra vs porto diz qualquer coisa vs coisa qualquer.
Quando ouço pessoas a declararem-se anti-praxe, mesmo antes de saberem o que é realmente a Praxe do seu curso, fico com raiva. Tudo bem que cada um tem o direito de escolher em ser praxado ou não - são opções. Mas uma coisa é não querer ser praxado, outra coisa bastante diferente, é ser anti-praxe. Para mim tudo o que seja anti-qualquer-coisa significa que esses anti querem, neste caso especifico, acabar com a Praxe. Praxe é um conjunto de usos e costumes característicos de uma academia ou faculdade (queima, cortejo, serenata, traje academico, ect), logo, se são anti-praxe, são anti-isto-tudo. Se não aceitam, tudo bem, serem contra a Praxe, é um ponto de vista que eu não compreendo nem tolero.
Falando da minha praxe, posso garantir seguramente que é das praxe mais duras física e psicologicamente da cidade de coimbra - façam uma pesquisa e adivinhem onde é que eu estudo. Já passei por muita coisa na praxe. Coisas de que não gostei e coisas que adorei (como em tudo na vida). Podia ter rejeitado aquilo que quisesse, mas não tive problemas nenhuns em fazer coisas menos boas. Nunca me faltaram ao respeito, nunca fui humilhado, nunca fui mal-tratado e posso dizer que este ano já valeu pela praxe a que estive sujeito. Certamente que muitas pessoas na minha situação achariam a minha praxe do mais ridículo, indecente e porco que pode haver. A maioria das pessoas que entrou no mesmo sitio que eu foram ás praxes e garanto que nenhuma delas se arrependeu. Sim, houve quem desistisse, mas desistiram por falta de tempo ou porque não lhes apetecia perderem uma tarde na praxe todas as semanas. Tudo bem, são opções e como já disse, aceito-as muito bem.
O ano já vai a meio, não sou praxado desde Dezembro e tenho muitas saudades daqueles tempos. Eram aquelas tardes em que nós convivíamos a sério com os doutores e caloiros. Era uma espécie de big family. Falávamos com todos e toda a gente falava connosco como se nos conhecêssemos há imenso tempo.
Eu vou ser praxista quando chegar a minha altura, se mudar de curso será daqui a sensivelmente 2 anos e posso-vos garantir que vou tentar ser um exemplo de doutor. Odeio a falta de rigor no cumprimentos das regras do código de Praxe. Se algum dia chegar a fazer parte de uma comissão de praxe, é uma das coisas que quero implementar: rigor na praxe. Se falharmos enquanto estivermos a praxar, os caloiros falharam na altura deles porque já era normal na altura deles.
Para quem nunca foi praxado e acha que sabe o que é a praxe, quero dizer que só sabe disto quem passou por ela. A definição de praxe passa muito para além da integração do caloiro na universidade. A praxe varia consoante as diferentes academias/cidades. Como é que podem rejeitar uma coisa apenas pelo que ouvem dizer (muitas vezes distorcido)? Não faz sentido.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
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